Níveldepoluiçãodoar emPiracicaba superaodaGrande SãoPaulo,diz estudo Institutomostraque a concentração de poluentes é a mesma verificada no centro de

O índice de poluição do ar em Piracicaba é superior ao verificado na Grande São Paulo. As mé- dias anuais de concentração de poluentes no município estão acima do padrão do recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde). Os dados constam no levantamento elaborado pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade, feito com base no relató- rio Qualidade do Ar no Estado de São Paulo 2015, da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) e divulgado nesta semana. O estudo aponta que Piracicaba contabiliza a mé- dia anual histórica de 36 ocorrências em que a quantidade de partículas de poluentes na atmosfera foi superior a 50 microgramas por metro cúbico, limite estabelecido pela OMS. A incidência média histórica de partículas nocivas à saúde humana no ar do município é maior que o verificado em localidades altamente industrializadas e com frota de veículos superior como Campinas (32), Jundiaí (26), Santos (25), e o mesmo que o encontrado na região central da cidade de Cubatão (36), cidade que que já foi conhecida como uma das mais poluídas do mundo por conta da presença de indústrias siderúrgicas. Na RMSP o índice é 30. Isoladamente, no ano de 2015, a estação automá- tica de Piracicaba figura entre as que registraram o maior número de ultrapassagens no padrão de segurança, com 143 ocorrências de risco. Conforme o Instituto Saúde e Sustentabilidade, a poluição do ar por poluentes provocou, em 2015, 11,2 mil mortes precoces no Estado de São Paulo, volume que corresponde a 31 vidas perdidas ao dia. O nú- mero representa mais que o dobro de pessoas que morrem por acidentes de trânsito no Estado (7.867); quase cinco vezes mais do que câncer de mama (3.620) e quase 6,5 vezes mais que por Aids (2.922). O estudo aponta que, se o nível atual de poluição for mantido, estima-se que até 2030 serão registradas 250 mil mortes precoces no Estado de São Paulo e 1 milhão de internações hospitalares — que representam despesas aos órgãos públicos de mais de R$ 1,5 bilhão, em valores de 2011. De acordo com Dair Bicudo Piai, médico pneumologista da Unimed Piracicaba, os gases poluentes afetam diretamente o sistema respiratório, potencializando doenças como rinite, bronquite, pneumonia e asma. “Todos sofrem os efeitos da maior incidência de poluentes no ar, mas os pacientes já diagnosticados com problemas nas vias aé- reas são os que mais sentem os danos”, disse. Conforme o especialista, a exposição prolongada aos agentes poluidores aumentam as chances da pessoa desenvolver doenças cardiocirculatórias como infarto e derrame. Medidas paliativas podem ser adotadas a fim de minimizar o impacto decorrente da concentração de poluentes no ar que é respirado. O pneumologista relatou que o problema é agravado em períodos de baixa incidência de chuva, como no inverno, quando algumas medidas reduzem os males resultantes do ar seco somado à poluição excessiva. “São aqueles velhos truques caseiros que todos já conhecem, como a colocação de umidificadores, toalhas molhadas ou bacia com água dentro de casa, alémde ventilar o cômodo e manter-se sempre bem hidratado”, disse.

 

FONTE: JORNAL DE PIRACICABA